O Brasil firmou-se como uma potência global na produção de soja, cultura fundamental para o agronegócio nacional. Sua cadeia produtiva impulsiona a economia, influenciando diretamente a balança comercial e o desenvolvimento do país.
Contudo, a busca pela máxima produtividade encontra obstáculos complexos. Proteger o potencial produtivo da lavoura exige a implementação de estratégias robustas para o manejo integrado de doenças e nematoides.
Esses desafios fitossanitários estão entre os fatores mais críticos, que demandam monitoramento constante. Porém, o ponto crucial é que esses desafios não ocorrem de maneira uniforme em todo o território nacional.
A pressão de patógenos específicos se intensifica de acordo com as condições edafoclimáticas e os sistemas de produção de cada região.
Neste conteúdo, compreenda os desafios causados por três dos principais problemas fitossanitários da soja, aprenda a identificar seus sintomas e conheça as melhores estratégias e tecnologias para implementar o manejo integrado de doenças e nematoides na soja.
O inimigo oculto e persistente: nematoide–de–cisto–da–soja (NCS)
O nematoide-de-cisto-da-soja (NCS), Heterodera glycines, é um dos desafios de solo mais destrutivos e de difícil manejo na sojicultura moderna.
O NCS é um verme microscópico que infecta o sistema radicular da soja e é conhecido como inimigo oculto da soja por uma razão preocupante: em muitas lavouras, o seu ataque pode causar reduções de produtividade de 10% a 20% sem que a planta apresente sintomas visíveis na parte aérea. O produtor só percebe o prejuízo no momento da colheita.
Somente em casos de infestação severa e por um período mais prolongado, que os sintomas na parte aérea das plantas tornam-se visíveis.
As plantas de soja que sofrem ataque de nematoides apresentam porte reduzido e folhas amareladas um quadro conhecido como o nanismo amarelo da soja.
Além disso, esses sintomas aparecem em manchas ou “reboleiras” irregulares na lavoura, um padrão típico que sinaliza a presença desses fitoparasitas na lavoura.

Contudo, o diagnóstico definitivo não está nas folhas, mas sim nas raízes.
As fêmeas do nematoide-de-cisto podem ser vistas aderidas às raízes. Elas iniciam com uma cor branca e, à medida que amadurecem, tornam-se amareladas, com formato característico de um pequeno limão.
O desafio no manejo do nematoide–de–cisto–da–soja
O manejo do NCS é complexo por um motivo central: a sua persistência na lavoura.
O maior desafio de manejo é a estrutura do cisto, cisto esse que é, na verdade, o corpo da fêmea. Ele endurece e se transforma em uma cápsula protetora para centenas de ovos (até 500 por cisto).
O mais grave é que esses ovos podem permanecer viáveis dentro do cisto no solo por até oito anos, mesmo na ausência de uma planta hospedeira.

A consequência prática disso é que a erradicação completa do NCS de uma área infestada é considerada praticamente impossível. E, como acontece muitas vezes, o problema é identificado tardiamente, sendo ainda mais difícil impedir a presença desse parasita.
O objetivo do manejo passa a ser, portanto, não eliminar, mas sim reduzir a população do NCS no solo a níveis que não causem dano econômico na soja.
Alerta no Sul: pressão constante da ferrugem–asiática
Mudando o foco do solo para as folhas da soja, a ferrugem-asiática, é considerada a doença mais severa da cultura da soja.
Seu potencial destrutivo é imenso, capaz de causar perdas de produtividade de até 80%. Além disso, o custo total da doença — somando perdas de produção e gastos com fungicidas — é estimado em US$ 2 bilhões por safra no país.
Essa doença foliar é causada pelo patógeno Phakopsora pachyrhizi, um fungo biotrófico, ou seja, que depende de um hospedeiro vivo (plantas de soja) para sobreviver e se multiplicar.
O dano clássico da ferrugem é a desfolha precoce da soja. A infecção faz com que a planta perca suas folhas antes que os grãos estejam completamente formados.
Porém, os sintomas iniciais são pequenas lesões escuras que evoluem para pústulas (chamadas urédias) na face inferior da folha. Essas pústulas se rompem e liberam milhões de esporos, que são disseminados pelo vento.

A Região Sul do Brasil enfrenta uma pressão particularmente alta da doença e o clima é o fator determinante.
Em anos com fenômenos como o El Niño, a região Sul registra um padrão de chuvas frequentes. Essa combinação de umidade com temperaturas mais amenas típicas da região, cria o ambiente ideal para a proliferação explosiva do fungo.
O desafio no manejo da ferrugem-asiática na soja
Historicamente, o manejo da ferrugem-asiática no Brasil tem sido quase totalmente dependente do controle químico.
Essa dependência levou à redução da sensibilidade do patógeno aos fungicidas convencionais e reforçou a importância do manejo integrado de doenças, que traz em sua abordagem não apenas o uso de químicos para o controle da ferrugem-asiática, mas também outras estratégias de controle.
A ameaça da sojicultura no Cerrado: antracnose
Outra grande região com expressiva produção de soja no Brasil é o Cerrado e lá encontramos o terceiro desafio crítico para a cultura: a antracnose.
A antracnose é considerada como um dos principais problemas fitossanitários do Cerrado. A razão é, novamente, o clima: o patógeno prospera em regiões com chuvas intensas e prolongadas e altas temperaturas (acima de 25 °C).
Este é, precisamente, o ambiente encontrado na safra verão de soja no Cerrado.
Causada pelo fungo Colletotrichum truncatum, a antracnose pode infectar a soja em todos os seus estádios de desenvolvimento. Ela pode causar a morte de plântulas (tombamento) e necrose em hastes e pecíolos, mas seus danos mais severos ocorrem na fase reprodutiva, atacando diretamente as vagens.
O fungo causa manchas escuras e necróticas nas vagens, que podem levar à queda total das vagens ou, o que é mais comum, à deterioração das sementes.
O desafio do manejo da antracnose na soja
O manejo da antracnose revela um desafio que vai além da aplicação de fungicidas. A literatura científica aponta uma correlação direta e forte entre a severidade da doença e a deficiência de potássio (K) no solo.
Lavouras com manejo inadequado da adubação potássica são significativamente mais suscetíveis ao fungo e isso é particularmente crítico no Cerrado.
Os solos da região (Latossolos) são, por natureza, intemperizados e com baixa reserva de potássio e os sistemas de alta produtividade exportam enormes quantidades de K nos grãos colhidos.
Se o produtor não realiza uma adubação de reposição precisa, a lavoura entra em déficit nutricional e fica mais suscetível ao ataque da doença.
Além disso, outros fatores do manejo da antracnose podem impactar a pressão da doença. Um deles é o uso de cultivares resistentes ou tolerantes, entre outras estratégias do manejo integrado de doenças.
O alicerce do controle: manejo integrado de doenças e nematoides
Devido à complexidade de cada patógeno, não existe uma solução única. O controle de doenças e nematoides na soja precisa ser multifacetado, integrando diferentes estratégias de controle.

1. Controle cultural
O controle cultural baseia-se na manipulação do ambiente de cultivo para quebrar o ciclo dos patógenos e reduzir o inóculo inicial.
Para o nematoide-de-cisto, a rotação de culturas com plantas não hospedeiras, como o milho, e a eliminação de plantas tigueras e daninhas são as ferramentas mais eficazes. Sem a soja para se alimentar, a população no solo diminui drasticamente.
Para a ferrugem-asiática, a prática-chave é o vazio sanitário. Como o fungo é biotrófico (precisa de hospedeiro vivo), eliminar a soja “tiguera” na entressafra e outras plantas hospedeiras, quebra o ciclo do fungo e reduz a pressão da doença no início da safra.
Leia também: Fim do vazio sanitário: planejamento e início da safra de soja 2025/2026
Para a antracnose, o manejo cultural é mais focado na nutrição. A doença está fortemente ligada à deficiência de potássio (K). Portanto, o manejo adequado do solo, principalmente com relação à adubação potássica, é fundamental, complementado pela rotação de culturas.
2. Controle genético
O uso da genética é outro pilar do manejo integrado de doenças e nematoides.
Para o nematoide-de-cisto, o mais recomendado é a utilização de cultivares com resistência a múltiplas raças. Isso porque existem mais de 15 raças de NCS identificadas, com pelo menos 11 delas já presentes no Brasil.
Para a ferrugem-asiática, a principal ferramenta é a estratégia de escape através de cultivares de ciclo precoce. O objetivo é colher antes que a epidemia da doença atinja seu pico.
Além disso, o plantio de cultivares resistentes ou tolerantes à doença para o manejo da ferrugem-asiática, como também da antracnose, também tem um papel muito importante e serve de alicerce para as demais práticas.
3. Controle químico e biológico
Por fim, uma das ferramentas mais conhecidas e utilizadas para o controle de doenças e nematoides é o controle químico e, junto a ele, o controle biológico com bionematicidas e biofungicidas, que também vem ganhando cada vez mais importância.
O ponto de partida para o uso dessas estratégias é o Tratamento de Sementes (TS). O uso de sementes sadias e um TS com fungicidas eficazes é inegociável para o controle da ferrugem-asiática e da antracnose.
Essa prática permite proteger a lavoura em um dos seus momentos mais vulneráveis, permitindo que a planta se estabeleça com vigor.
Além do TS, outra prática comum do controle químico e biológico são as aplicações foliares. O uso racional desses insumos, priorizando a rotação de ativos e as boas práticas de aplicação é, quase sempre, indispensável dentro de um programa de manejo de doenças e nematoides.
Resumo das principais estratégias para o manejo integrado de doenças e nematoides na soja
| Desafio fitossanitário | Patógeno | Foco do manejo cultural | Foco do manejo genético |
| Nematoide-de- cisto (NCS) | Heterodera glycines | Rotação de culturas e eliminação de plantas tigueras/daninhas | Cultivares com resistência a múltiplas raças |
| Ferrugem-asiática | Phakopsora pachyrhizi | Vazio sanitário e eliminação de plantas tigueras/daninhas | Cultivares precoces e superprecoces para a estratégia de escape |
| Antracnose | Colletotrichum truncatum | Adubação equilibrada, rotação de culturas e eliminação de plantas tigueras/daninhas | Sementes sadias + tratamento de sementes eficaz |
Leia também: Manejo Integrado de Plantas Daninhas (MIPD) na soja
O alicerce da produtividade da soja: genética de performance e manejo integrado
Portanto, o manejo eficiente de doenças na cultura da soja requer uma abordagem integrada e dinâmica. A combinação de métodos de controle culturais, genéticos, químicos e biológicos oferece aos produtores um arsenal diversificado de ferramentas para enfrentar os principais desafios fitossanitários da soja
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